quinta-feira, 21 de maio de 2009

Individualidade

Tenho dias de ficar só curtindo as tão esperadas tardes frias de outono, percorrendo o caminho estrategicamente escolhido, querendo aproveitar cada raio de sol, esquentando... me pego sorrindo. Sabe aquele sorrisinho bobo, tímido, que escapa por nada? Esse mesmo. Sorriso de felicidade instantânea, satisfação, desnuda a alma e contraria espectativas, surge por motivos nada compreensíveis, o mais tolos.

Do que gostamos de verdade? Não importa se faz bem, se é saudável, se vale pra todo mundo ou se é feio até pensar no assunto. Esquece tudo isso, só o que vale é a sensação boa. Se surpreenda com a dificuldade que vai encontrar para formar uma listinha básica e sincera (ou então continue se enganando, achando que é igual, comum. Ninguém é!).

Qualquer criança sabe o que deve ou não apreciar, como se portar, o que não dizer (principalmente). Recebemos um manual cultural, uma herança de todas as familías que divide claramente o certo do errado, nos dá dicas sobre bons hábitos para, enfim, nos tornarmos seres humanos exemplares. E o que meros filhos, na ânsia de contentar mamães e papais dedicados, podem fazer que não seguir corretamente as instruções?

Vivemos infelizes por esquecer uma certa dose de individualidade, essencial. Por não entender que só faz feliz quem sabe ser feliz.
Pague o preço e seja você mesmo.

Eu já não tento mais gostar do verão, de lugares apertados, cerveja, novela ou filmes de comédia, livros de auto-ajuda, multidões, coca-cola, conversas fúteis... aaaaah, eu odeio tudo isso!Há quem diga que sou anti-social, chata, metida, estranha. Ocupo meu tempo com as coisas que realmente me dão prazer e aprendi a não me importar (tanto) com quem não entende.

A grande ironia é que termino meu raciocínio com a certeza de que segui todas as instruções do manual e, é bem provável que me odeie por isso, ou talvez apenas lamente os que não conseguem perceber isso em mim.

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