Eu quero paz. Não essa paz em silêncio, esse lugar ermo, solitário. Dispenso tal sossego.
A minha paz tem música, o som da tua voz, nossas risadas, os jargões. Tem cor definida, de morango, de chocolate, dos teus olhos. Tem gosto, como no paraíso... um lugar de delícias. O meu perfume para te atrair e com o teu se confundir. Tem no pináculo dessa boa harmonia a morada dos anjos, com noites frias, tempestuosas, bem à nossa maneira, com o cessar de hostilidades, tranqüilidade de espírito, benevolência na alma, teu braço envolto na minha cintura, tantas vezes forte como quem expõe propriedade, outras vezes leve como se rogasse um carinho. Teu olhos sinceros vigiando meu sono denso, raro, de um corpo exausto. Tem sorriso fácil. Tua mão à procura da minha por instinto, impulso natural. Tem o aconchego de um abraço e conforto permanente. Nela posso satisfazer meu altruísmo com o objeto da minha afeição, excluso o risco da ingratidão, tal paz não espera reciprocidade. Posso doar-me por inteiro, sem receio, regras ou formas de proceder, apenas o ímpeto inato de um ser dominado pela paixão* e, ter como primeira e última sensação do dia o amor. É essa a paz tão esperada pelos anjos atrapalhados, encerra suas jornadas, cumpre o dever... almas finalmente unidas, hora de ceder a morada, criar o nicho dos enamorados.
*Paixão: do Lat. passione, sofrimento
Sentimento excessivo; amor ardente; afeto violento; entusiasmo; cólera; grande mágoa; vício dominador; alucinação; sofrimento intenso e prolongado; parcialidade.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
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