A noite se arrasta, pede bengala de tanto que demora. Acho que o tempo esquece de mim aqui, ele deve dormir à noite, como a maioria.
A lua (ingrata) agora me dá as costas, o que antes confortava, implorando um momento de solidão, agora ilumina um vazio aqui dentro, um buraco cada vez maior, me engolindo aos poucos. Ela devia ser mais tua do que minha, é provável que ela apenas me vigiasse, fazendo companhia enquanto tu não chegava, guardando minhas confissões pra depois soprá-las no teu ouvido. Isso explicaria muita coisa.
Ando sentindo falta do sol, assim como um dia senti da lua, mas não tenho coragem de sair sozinha... e se ele tbm denunciar a cratera que tento esconder? Melhor colocar o óculos e correr pra casa, pro escuro do meu quarto, antes que ele alcance o ponto mais alto e me impeça o subterfúgio.
"Bom dia meu amor"
De dia o tempo é mais amigo... ou menos inimigo. O barulho lá fora me distrai e o cobertor protege, hora de dormir, sozinha até no descanso. Sono eu nunca tenho, mas a saudade desconhece esse detalhe e quando fecho os olhos, corro pra ti e ao teu lado ela nunca pode me atingir.
Finalmente, o pôr-do-sol chega pra me socorrer. Em vez disso revela a única verdade... somos apenas vítimas de um ser que trás nos olhos o poder de seduzir e, com o charme de um Deus, conquistar eternamente.
...Lizi
*Víctima: criatura viva que os imolavam aos deuses em holocausto.
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